sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

"A questão de uma morte programada" ou "Sobre o castigo divino"



Ontém vi o ultimo episódio de uma série que acompanhava há já algum tempo. Nesta, a personagem principal, um jovem universitário dotado de uma inteligencia ao nivel de um génio, adquire o poder de matar qualquer pessoa bastando para isso saber o seu nome e a sua cara.

A série aponta constantemente para a questão: se matas quem pratica o mal, não estás a praticar o bem? Para todos os efeitos, ao matar todos os criminosos, o universitário propaga uma onda de medo que faz com que o crime organizado quase que desapareça, as guerras parem e que o "mal" acabe no Mundo.

A personagem começa a ser encarada como um Deus: ele decide o que é o bem e o mal, porque tem o poder de castigar quem não obedece ao seu código moral. Os estados do mundo reconhecem-no como uma entidade a respeitar e obedecer.

Isso levou-me a pensar um pouco num dos tópicos das religiões no geral que sempre me fizeram mais confusão desde muito novo: eu tento ser uma melhor pessoa, não por medo, mas por seguir um código moral que me foi incutido pela sociedade. Como tal até que ponto é genuíno praticar o "bem" por medo de um castigo divino no final da vida? Seriamos nós julgados pelo que está dentro de nós ou pelo que praticámos? Será a pessoa que desdenhou e odiou tudo, mas que o manteve dentro de si e praticou apenas o bem, uma pessoa que merece a recompensa divina?

Tudo isto para dizer que o facto de ser o medo/ameaça a forma mais eficaz de garantir o bom comportamento do ser Humano enquanto povo/raça me deixa um pouco apreensivo.

PS: Ontém levei uma ganda tosa no jogo da bola... isto faz-me sempre ficar pensativo e fazer posts destes! :P

Um comentário:

Low Rider disse...

É uma questão interessante, ainda no outro dia a debatia num jantar. Eu acredito em Deus e o que tenho reparado é que o meu Deus é um pouco diferente do Deus proveniente das interpretações da igreja. Essencialmente, não é castigador. Mas cada vez mais me convenço que as coisas não funcionam assim, e é pena. Grande parte das pessoas pratica o bem pelos motivos errados. As pessoas não estão preparadas para praticar o bem por razões morais, se pensarmos bem a sociedade assenta toda no propósito de um juízo final e, se as coisas já são como são, não quero imaginar como seriam sem esse peso consciente ou inconsciente sobre nós. É importante para as sociedades existir uma noção de justiça divina, daí a sua presença em qualquer religião. Não quero com isto dizer que não há pessoas que fazem o bem pelo bem. Há! São é uma minoria.